Noticias de mercado mundial
15/03/2011
China - A China caiu em um surpreendente déficit comercial mensal em fevereiro de USD7,3bn, seu maior em sete anos, com um grande impacto inesperado do feriado do Ano Novo Lunar nas exportações.
Este foi o primeiro déficit comercial da China desde março do ano passado e o maior desde fevereiro de 2004. Os economistas, que previam um pequeno superávit de USD4,95bn, disseram que a queda repentina seria provavelmente temporária.
"Nós esperávamos realmente que as exportações diminuíssem no mês passado, mas acho que ninguém esperava um resultado tão fraco", disse Nie Wen, um analista da Hwabao Trust, em Xangai. "Há pouca chance de a China experimentar um outro déficit comercial e o superávit comercial mensal pode aumentar na segunda metade deste ano", acrescentou.
Japão - a economia do Japão contraiu mais que o previsto inicialmente pelo governo no quarto trimestre por causa de uma revisão decadente de investimento de capital e gastos do consumidor.
O produto interno bruto encolheu a uma taxa anual de 1,3 por cento nos três meses encerrados em 31 de dezembro, mais que a contração de 1,1 por cento informada no mês passado, declarou o Gabinete do Governo em Tóquio, nesta quinta-feira.
Oriente Médio - A economia do exportador de petróleo e gás Qatar, o país mais rico do mundo per capita, crescerá 20 por cento em 2011, disse o FMI na quarta-feira.
"O Qatar tem resistido à crise financeira mundial excepcionalmente bem, refletindo a resposta política rápida e forte por parte das autoridades", disse o Fundo Monetário Internacional sobre o país de 1,7 milhões de pessoas.
"O crescimento se recuperou para 16 por cento em 2010 e é esperado que acelere para 20 por cento em 2011."
Espanha - A taxa de crédito da Espanha foi cortada para Aa2 na quarta-feira pela Moody's Investors Service, que disse que o custo de sustentar o setor bancário irá eclipsar as estimativas do governo. O euro caiu e o rendimento das obrigações espanholas cresceu.
A Espanha vai gastar cerca de EUR50bn (USD69bn) sustentando os bancos de poupança, previsão da Moody's, mais que o dobro do valor de EUR20bn, preço definido pelo governo. Os riscos para as finanças públicas continuam "inclinados para o lado negativo", disse a companhia em um comunicado nesta quarta-feira. O cenário é "negativo", sugerindo que mais cortes de estimativa estão sendo considerados.
R.U. - A produção industrial do Reino Unido teve em janeiro o maior crescimento em 10 meses, um sinal de que a economia está retomando o crescimento após um congelamento de inverno prejudicado a recuperação.
A produção industrial cresceu 1 por cento a partir de dezembro, quando encolheu 0,1 por cento, declarou o Gabinete de Estatísticas Nacionais em Londres na quinta-feira.
Representantes do Banco da Inglaterra declararam em previsões no mês passado que o crescimento das exportações de mercadorias foi "flutuante" e que a produção foi menos afetada que outras partes da economia pelo dezembro mais frio do século.
Enquanto isso, o Banco da Inglaterra manteve sua taxa básica de juros em um recorde de baixa nesta quinta-feira, já que os estrategistas econômicos optaram por deixar de lado as preocupações sobre as crescentes pressões inflacionárias para sustentar a recuperação econômica do Reino Unido.
Moedas - O dólar subiu face aos seus principais concorrentes, na quinta-feira; dados sobre as perspectivas de empregos irão sinalizar uma recuperação contínua na maior economia do mundo em meio a sinais de que o crescimento na Ásia está desacelerando.
O euro sofreu, em uma semana, sua maior desvalorização face ao dólar, após a redução da avaliação da Espanha pela Moody's Investors Service. O dólar australiano teve sua maior queda em duas semanas, com empregadores inesperadamente reduzindo empregos e a China registrou déficit comercial.
Mercadorias – O ouro acompanhou o aumento do petróleo na quinta-feira, enquanto os investidores esperaram para ver se a comunidade internacional iria concordar com uma zona de exclusão aérea na Líbia; as explorações no maior fundo de prata negociada em bolsa do mundo atingiu um recorde de alta, refletindo um maior interesse no metal precioso mais barato.
Comerciantes de metais preciosos continuam concentrados na crescente agitação no mundo árabe e renovaram a preocupação sobre a dívida da zona do euro, fatores que mantêm os preços em um nível alto acima de USD1.440 por onça, esta semana.
Destaque para: a ascensão do consumidor chinês
As recentes preocupações sobre a economia chinesa são atribuídas a uma série de fatores. Um que continua recebendo considerável atenção é o da sua confiança em uma economia pautada na exportação. Muitos comentários realçam a importância da economia doméstica e da iniciativa de sua população em começar a gastar dinheiro no local, acelerando o consumo interno e, desta forma, reduzindo a dependência de suas exportações para sustentar o crescimento do país.
É claro que um aumento nos gastos locais não representaria somente uma boa notícia para a economia chinesa; espera-se que os bens adquiridos possam ser importados de outras economias, resultando em um impulso muito necessário para o cenário global.
É uma boa notícia, então, que o Plano Quinquenal (2011-2015) do governo chinês, divulgado na semana passada, destaca as medidas que irá tomar para incentivar a sua população a economizar menos e gastar mais, transformando a segunda maior economia do mundo em um grande mercado consumidor.
O documento declarou que a China irá "aumentar as importações de bens de consumo de forma adequada" como parte de seus esforços para otimizar as importações afim de alcançar um comércio e uma estrutura econômica mais equilibrados; algo que o Ocidente deseja há algum tempo.
"O governo não explica como pretende aumentar as importações de produtos de consumo; as possíveis medidas devem incluir uma simplificação da legislação e a redução dos tributos de importação", disse Zhang Xiaoji, pesquisador sênior do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento do Conselho de Estado.
De acordo com Zhang Ping, chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o principal estrategista econômico da China, o governo chinês irá "concentrar-se em estabelecer um mecanismo de longo prazo para impulsionar a demanda doméstica, especialmente a demanda do consumidor."
O atual crescimento econômico na China, que conta com grande investimento, alto consumo de energia e grande acumulação de capital, teve efeitos negativos sobre o crescimento sustentável e estável da economia nacional.
Para esse efeito, a China promete promover o processo de urbanização, incentivar o aumento de empregos, reavaliar as disparidades de renda, melhorar o sistema de seguridade social e otimizar o ambiente de consumo.
"Um modelo de crescimento orientado para a exportação não é sustentável para a China devido à sua enorme dimensão econômica. No entanto, ela promete um bom futuro destravando o consumo doméstico", disse Jin Baisong, pesquisador da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica do Ministério do Comércio (MOC).
A mudança da China de "fábrica mundial" de produtos de consumo geral para um grande "mercado consumidor internacional" não vai beneficiar só o país, mas também seus parceiros comerciais e até mesmo a economia global, disse Jin.
O ministro de MOC Chen Deming disse que a China deverá tornar-se o maior mercado consumidor do mundo na próxima década e irá superar o Japão como o maior consumidor mundial de produtos de consumo geral até 2015.
No entanto, analistas dizem que a transição não será fácil. "O governo deve aumentar o rendimento dos grupos de média e baixa renda e ampliar a cobertura da sua rede de seguridade social", disse Jin.
"Os líderes da China terão de travar uma luta política sustentada em várias frentes, combinando medidas relativamente diretas para incentivar o investimento privado, como a reforma fundamental da saúde da nação e dos sistemas de pensões e com mudanças radicais na estrutura básica da economia", segundo um relatório do Instituto Global McKinsey.
